LONGE DA AVENIDA. “Gosto muito mais do samba do que do Carnaval. Muita gente não compreende quando falo isso. O samba não é necessariamente o Carnaval, é um gênero musical, uma expressão da cultura brasileira que não tem que estar atrelado a nenhum calendário, nada disso, porque é uma instituição da nacionalidade. O Carnaval é a loucura e a folia. O samba ensina coisas mais sérias, que merecem um cuidado maior. O Carnaval, hoje, é bagunça, é coisa de boa forma… As pessoas confundem, mas eu não confundo e sei direitinho qual a diferença de uma coisa para outra”.
SAMBA POLÍTICO. “O samba tem um peso político muito grande na história brasileira. O samba no Brasil concorre com suas músicas por um espaço de igualdade no aspecto global como a música norte-americana. A gente toma o americano como padrão, até pela força industrial, mas o samba e a música afro-cubana também estão no mesmo caminho”.
NO SAMBA ME CRIEI. “Eu me aproximei de um modo bastante profundo, com poucos anos de idade, já sentindo que queria ir (para este gênero), num contexto em que a sociedade brasileira ainda não via com bons olhos, nem uma família afrodescendente como a minha não via com bons olhos o samba pelo fato de ser um produto africano. Estou contando isso na minha autobiografia. Hoje não são mais os princípios da família”.
REVISANDO A PRÓPRIA HISTÓRIA. “Foi uma viagem, uma terapia também, logo que comecei esse trabalho. Foram dois anos, depois de um período de desengano na minha vida, quando perdi a Roberta, esposa dos meus sonhos, de uma maneira muito trágica, um infarto. Me deixou muito mal. E essa viagem por esse trabalho foi o encontro de todas as lembranças, as coisas familiares, menos conhecidas… Algum tempo já vinha tendo a vontade de escrever a história da minha família, daí aproveitei esse trabalho para falar dos meus irmãos, minha mãe falar, meu pai, do ambiente de casa, a boa convivência que nós tivemos, uma família na qual todo mundo sabia o que era um instrumento sopro, instrumento de percussão… Teve até um membro da família que foi à Segunda Guerra Mundial”.
PESO DA IDADE. “O Peso? É o peso de precisar fazer pilates (risos). É o jeito que a gente tem se quiser continuar, é preciso. Eu tenho um filho que cuida de todo o resto para mim”.
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